13 dez

A LIRA CORDELISTA DE RAIMUNDO SANTOS

A expressão artística despertada no município de Uruçuí, sempre veio revestida com a candura e a leveza do berço da simplicidade. Foi assim com a poesia de Artur Pires, a literatura de Nelci Gomes e o artesanato de muitas mãos. E o cordel não fugiu à regra. Foi cantado na oralidade por dezenas de anos para, depois, ganhar novos temas e roupagem. Se antes predominava apenas ensinamentos religiosos, rotinas de caçadores e a lida diária, agora tudo se volta, de forma bem abrangente, para o campo sócio-político. E mais, a arte literária produzida, antes repetida de geração a geração pelo viés da oralidade, agora, ganha contemporaneidade e formalidade. O poeta canta uma dor social que nasce e renasce quando o homem resolve laborar sua ganância e seu egoísmo. Mas o cordelista uruçuiense não deixa de, também, tematizar os casos passionais de nossa gente.

O poeta Raimundo Santos, que nasceu em 1947, foi o pioneiro e o mais fértil cordelista que essa região dos cerrados já conheceu. As boas memórias ainda registram o seu jeito de ser e sua sede de cantar o que ele denominava de “mazelas sociais”. Ao seu olhar artístico quase nada escapava em se falando de desvio das regras de boa convivência. Seu canto percorria os labirintos da atuação religiosa(ou a ausência d´la), da vida social digna ao egoísmo da gula e da política séria aos atos maculados pela ganância do homem. Alguns dos seus textos, com a ajuda de amigos, foram publicados em jornais, revistas e organizados em pequenos volumes que eram, em geral, comercializados nas calçadas da agência local do Banco do Brasil. Quase todas as manhãs, lá estava ele oferecendo seus cantos diversos.
Entre outras histórias ele cantou em versos, as seguintes histórias: “As Aventuras de Ambrósio”, “A Vida de Zé do Rancho”, “Os Heróis do Sertão”, “O cavalo que falou”, “O Homem e os Animais”, “O Quarto Mundo Brasileiro”, “A Solução de Uruçuí” , “A Quem Recorrer?” e “As Leis do Satanás”.
Raimundo Santos não viveu o suficiente para ver toda a sua produção literária publicada. Ele faleceu em 29 de junho de 2005, aos 58 anos de idade, deixando uma significativa contribuição cultural para o acervo uruçuiense.

Anchieta Santana
Escritor uruçuiense

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